sexta-feira, 15 de julho de 2011

Tensão

Hoje eu nem deveria postar. Grande parte das coisas que aprendi não posso postar por questões de ética e respeito. Mas não achei justo com quem lê o blog. Hoje sai com o repórter Diogo Dias e o repórter fotográfico Paulo Araújo (aquele que me chama de tchê). Fomos rodar a cidade em busca de flagras de vans que fazem transporte irregular. Circulam em condições mínimas e a identificação não é difícil. Não tem a pintura adequada, placa cinza e não tem selo de licenciamento. A pauta era tensa. Desde o último domingo o jornal O Dia vem denunciando táxis ilegais que atuam na Zona Norte. Então o pessoal já anda desconfiado. O pior era verem a câmera e tentar fazer algo contra nós. Cuidado e prudência fazem bem nessa hora.

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Rodamos imediações da Rodoviária e Centro. Nada. Na Zona Norte marcamos ponto em Pilares e fizemos alguns flagras. Seguimos uma kombi irregular até o Complexo do Alemão. Fotos feitas e o motorista nem percebeu. Novos flagras em Bonsucesso. Já mencionei que muita coisa que aprendi na conversa com a equipe são em off mas o que posso dizer que quando alguém quer uma pauta não adianta discutir. Tem de ir lá e fazer acontecer, mesmo que esteja difícil. Não fiz foto nem vídeo de nada disso óbviamente para não dar bandeira com mais uma câmera mas você pode fazer um tour pelo Alemão nesta animação http://multimedia.odiaonline.net/ . Estamos no ar!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A arte de observar: lições para estudantes

Passei a manhã toda na redação só observando como vai se desenrolando a edição do dia seguinte de um impresso. A escuta fica monitorando sites, e-mail, rádios e ligações e vem sugerir as pautas para o chefe de reportagem. É ele que vai bater o martelo e passar para o repórter correr atrás. Depois da apuração vem os retornos e a pauta se encaminha.

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Resumo de hoje: por volta das 9h chegou a informação de que na Tijuca, Zona Norte, havia uma granada na rua. O Esquadrão Antibombas isolou a área e detonou o artefato. Quase de forma simultânea veio a informação de que no estacionamento do Aeroporto Santos Dumond também haveria explosivos em um dos carros. Da mesma forma o Antibombas isolou a área e cães farejadores foram usados para vistoriar os veículos estacionados. A tarde saí com o repórter fotográfico Carlo Wrede ao encontro da repórter Fernanda Alves e do repórter fotográfico Alessandro Costa, no local desde cedo. Por volta das 19 horas veio anúncio de que a denúncia provavelmente foi um trote ao Disque Denúncia. Gente desocupada é absurdo mesmo.

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Nesse meio tempo conversei com a repórter Fernanda Alves sobre a importância do estágio para a carreira do estudante e para definir os rumos a serem seguidos após a conclusão do curso. Ela começou como estagiária no O Dia. Ficou dois anos nesse posto, tempo limite para o estágio. Saiu, foi para um jornal de Niterói e voltou no começo deste ano como contratada. No jornal O Dia estagiários têm status de repórter. Fazem pautas da mesma forma que os contratados mas com assuntos digamos menos polêmicos. Em vários locais é assim e a prática permite ao estudante “experimentar” de fato a profissão. Nessa hora sair com equipes experientes também é fundamental. Quando se é foca, ouvir quem é colega e está por aí faz tempo não é só ser humilde. É aprendizado puro. Confira a seguir a entrevista que fiz com a Fernanda. Estamos no ar!


quarta-feira, 13 de julho de 2011

Uma cidade de contrastes

O Rio de Janeiro é uma cidade de contrastes. Geografia privilegiada. Ricos e pobres a centímetros um do outro. Favela e mansão coexistem no mesmo espaço. Há espaço para todos e não há como viver estressado. Hoje mesmo, a pauta era na Barra da Tijuca. Longe de tudo e perto do paraíso. Junto com o repórter Francisco Édson e o repórter fotográfico Alexandre Vieira, fui acompanhar a investigação sobre a morte do cineasta Emiliano Ribeiro, encontrado morto ao lado do corpo da mulher, a redatora Karla Hansen, no apartamento em que moravam. A suspeita é que ele teria sofrido um infarte e ela ao vê-lo desacordado teria entrado em choque. Vizinhos desconfiaram a falta de movimentação e chamaram a polícia. Karla foi levada ao hospital e não resistiu.

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Primeira parada: Cemitério do Caju. Um dos mais movimentados do mundo, com cerca de 40 enterros diários. Até ali notam-se os contrastes. Parte rica com grandes manzoléos e a pobre com cruzes cravadas no chão. Nada de corpos, então partimos para a Delegacia de Homicídios da Barra. Pelo caminho muitas mansões e o bairro Alto da Boa Vista. Reduto de residências de famosos, m² caro, muito verde e vistas espetaculares. Nada na delegacia. Partimos para a outra delegacia. Nada. Até achávamos que era barriga (falsa notícia) mas depois confirmou-se a história. Pausa para almoçar. O lugar? Indescritivelmente lindo. Praia dos Amores, em um quiosque de pescadores, peixe fresco e um mar transparente, regado a uma brisa agradável do dia quente que fez hoje. Não há como ficar estressado aqui. Quem estressar tem algum problema.

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 Na volta passamos pela Rocinha, a maior favela do mundo. Novos contrastes. Do outro lado do túnel o bairro chique da Gávea, Lagoa Rodrigo de Freitas e novas paisagens de encher os olhos. Perceberam que o trabalho foi quase que irrelevante diante de tanta disparidade? Prova de que é possível tabalhar com prazer. Veja imagens da Praia dos Amores e da Rocinha. Estamos no ar!

terça-feira, 12 de julho de 2011

Da maconha à educação

Literalmente isso resume meu dia. Comecei com a repórter Isabel Boechat e o repórter fotográfico Paulo Alvadia, rumo ao Andaraí. Fomos para a inauguração de uma creche onde estariam o prefeito do Rio, Eduardo Paes, e o secretário de segurança José Mariano Beltrame. Na verdade o tal evento era a última de nossas intenções. O que interessava é perguntar várias outras coisas ao secretário Beltrame. Lição número 1 do dia: use a esperteza para perguntar o que quer quando a pessoa nem imagina que você vai fazê-lo. Atrasados e a Lei de Murphy colaborando com obras e um caminhão na frente, perdemos a pauta. Trancados na rua, vimos todo mundo descer e ir embora. Fazer o que? Partimos para a próxima.

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Era a apresentação na Delegacia de Combate as Drogas (DCOD), no mesmo bairro, do segurança de um traficante do Morro do Chapadão. Na ação, os agentes apreenderam dois fuzis calibre 762, um fuzil G3 com apoio, uma pistola 380, uma pistola 9mm, duas granadas, 152 embalagens de maconha, 265 de cocaína, 157 de crack, 61 de maconha hidropônica, além de 105 munições variadas. Ainda foram recuperadas quatro motos e dois carros utilizados pela quadrilha. Detalhe curioso: as drogas eram endoladas em outras comunidades e já vinham prontas para o Chapadão. Seria uma espécie de terceirização do tráfico. A repórter Isabel conta suas experiências na reportagem policial no vídeo a seguir:


Virando a página, a parte da tarde foi dedicada a Educação. Junto com a repórter Maria Luisa Barros e o repórter fotográfico Carlo Wrede fomos acompanhar um protesto dos professores da rede estadual do Rio de Janeiro em frente a Secretaria de Educação. Eles estão em greve desde o último dia 20 e reivindicam 26 % de aumento no salário. Em reunião com autoridades nesta tarde ficou marcada nova reunião para quinta-feira. Os manifestantes ficarão acampados na frente do órgão até a data. Lição número 2: chegamos por volta das 15hs e o lead da matéria só saiu às 20h. Foi muita espera. Jornalismo também tem dessas.
Foto: Carlo Wrede

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A profissão em um clique

Hoje a saída com a reportagem não teve muitas novidades. O assunto: bueiros. Ultimamente só falo neles, então vamos mudar o foco. Não existe boa reportagem sem boas imagens certo? E quem é o responsável por elas? O fotógrafo, óbvio. Pelas universidades a fora existem muitos estudantes de Jornalismo apaixonados pela fotografia. Para essas e para outros que admiram ou praticam de forma amadora esta arte, entrevistei o repórter fotográfico do jornal O Dia, Carlos Moraes. Com 30 anos de profissão, sendo mais de 20 no mesmo veículo, ele revela-se apaixonado pelo que faz. Especializado em cobertura esportiva, já conquistou vários prêmios de fotojornalismo. Em quatro perguntas básicas, feitas durante nossa pauta, ele conta como começou e fala de fotografia com sua técnica e paixão.

ON AIR: Como você começou nessa profissão?
Moraes: Comecei como laboratorista, que é aquela pessoa responsável por revelar os filmes (antigamente era filme fotográfico). Eu revelava, passava as fotos para o editor cortar e copiava. Comecei a gostar de imagens e despertou meu interesse. Um dia meu chefe na época chegou, alcançou dois filmes, de 24 poses, rebobinado, uma câmera e uma lente e me mandou para um treino do Flamengo. E o Flamengo naquele tempo era um timaço, com Zico e companhia. Cheguei lá com aquele receio de iniciante e não tive vergonha de pedir ajuda aos fotógrafos experientes. Deu certo. Está dando até hoje.

ON AIR: O que representa a fotografia na sua vida?
Moraes: Puxa, boa pergunta. É amor, paixão. É deixar a foto vir até você. É ter um olhar clínico para saber que aquilo vai dar um boa foto, produzir. É uma arte e não somente disparar e depois apagar. Sou fotógrafo 24 horas por dia. Já viajei para vários lugares por esta arte.

ON AIR: Qual foi o seu melhor clique?
Moraes: Fotógrafos vivem de sorte. As vezes uma pauta furada pode render a imagem da sua vida. Eu estava fazendo uma matéria sobre os cães farejadores, sobrevoando comunidades em um helicóptero, quando flagrei policiais rendendo e executando dois jovens no Morro da Providência. Foi sorte estar lá. Esta imagem me rendeu vários prêmios, entre eles o Esso, o Embratel e o Vladimir Herzog.


A premiada foto no Morro da Providência

ON AIR: Quais suas dicas para quem está começando no fotojornalismo?
Moraes: De maneira geral estar atento. Um fato importante não pode ser repetido. Você não pode pedir para o atacante repetir o gol. Aconselho perder o vício de ficar olhando o visor da câmera. Antigamente isso não era possível e as imagens eram geniais. Em termos técnicos, para quem esta começando, há coisas básicas: ter uma câmera semi-profissional, noções de edição e de fotografia e saber regular a luz. Isso é fundamental. Não esqueçam: câmera é igual roupa. Tem de se estar com ela sempre.

domingo, 10 de julho de 2011

Lições de Jornalismo Investigativo

Domingo, como vocês sabem, é dia de um convidado no blog. E o de hoje é de muita honra e responsabilidade para mim. Muitas vezes jornalistas em início de carreira acham chato ficar ouvindo histórias dos que têm mais cancha na profissão. Erro. Aprende-se muito dessa forma mesmo que os tempos sejam diferentes. O assunto abordado hoje é o jornalismo investigativo e quem o fará se descreve como um homem de 57 anos, dos quais 39 dedicados ao jornalismo, com uma cabeça de 30 e muita história para contar. Ele é Lúcio Natalício ou simplesmente Natal. Aos 15 anos de idade já tinha sede por apuração. Orgulha-se de ter conhecido o melhor e o pior da profissão, passando pela repressão da Ditadura Militar, onde por várias vezes teve uma arma apontada para sua cabeça, e pelos problemas sociais. Atualmente no Jornal O Dia, continua sendo crítico das mazelas do povo. O caso mais relevante ocorreu durante uma cobertura no ano de 1988. Um jovem era mantido refém em uma mansão em Teresópolis. Natal ofereceu-se para ficar no lugar. Acabou sequestrado por sete horas.

Natal na redação do Jornal O Dia

A seguir trechos de um polígrafo com pequenas dicas para quem está começando que recebi dele e devorei.

“ A reportagem de polícia é a maior escola de jornalismo. Quem passa por ela está apto para qualquer editoria.”
 “A escuta é o coração do jornal e, se não estiver ocupada por um bom profissional,o risco de tomar um furo é muito grande”.
“ O primeiro passo para um repórter recém-formado ou estagiário ao entrar para uma redação é comprar uma agenda para armazenar contatos e fontes”.

A seguir um texto escrito pelo próprio Natal (www.oblogdonatal.blogspot.com), especialmente para este blog:

O jornalismo investigativo é o grande filão para garantir a vendagem da mídia impressa e aumentar a audiência nos programas das emissoras de televisão. As denúncias escorrem como água, mas muitas vezes são pouco investigadas pelas autoridades processantes, fazendo com que algum tempo depois sejam esquecidas ou deixem de ser investigadas. Muitas dessas notícias saem da mídia depois que outro caso é descoberto e ocupa o espaço da reportagem anterior.

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A liberdade de imprensa depende da boa vontade do patrão, ensinava o saudoso jornalista Mecenas Cordeiro, que nos anos 70 era secretário de redação do jornal O Globo. Sonho dos recém-formados em jornalismo, os jovens encontram uma outra realidade nas redações. De acordo ainda com Mecenas, para se ter realmente liberdade de imprensa somente lançando um jornal.

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Desde o final da década de 60 o país vivia uma sombria ditadura militar e hoje estamos vivendo uma ditadura econômica. Ou seja, interesses de publicidade levam a mídia a se omitir em relação de matérias contra prefeitura, governo do estado e governo federal, que injetam fortunas em anúncios governamentais. Isso interfere no jornalismo, cujos profissionais são obrigados a trabalhar  convivendo com a censura silenciosa.

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Convém lembrar, que o grande jornal carioca  Correio da Manhã  fechou as portas. Motivo: fazia resistência ao golpe militar e os carrascos na época do governo proibiram que o jornal recebesse publicidade com ameaças de sanções para quem anunciasse.

ENTREVISTA: Conheça a TV O Dia

 Toda pessoa bem informada certamente se recorda da "tragédia de Realengo", aquela onde um jovem invadiu a escola Tasso da Silveira, no Rio, e atirou contra várias crianças. E vocês também devem se recordar que as primeiras imagens do atirador recarregado a arma do crime no corredor estavam com a logomarca da TV O Dia. Eu, como apaixonada por tudo que envolve vídeo, fiquei curiosa em saber que veículo era esse. Fui a internet e para minha surpresa descobri que se tratava de uma webtv do jornal O Dia, justo aquele em que eu iria estagiar. Esta semana conheci o profissional que edita, produz, reporta, faz tudo para este veículo. Confiram a seguir uma entrevista com o Élcio Braga.