quarta-feira, 27 de julho de 2011

Temos isso?

A pergunta que os chefes de reportagem e redação mais fazem quando veem a concorrência se dar bem é TEMOS ISSO? Pois se hoje me fizessem essa pergunta eu responderia não, não temos isso. Vocês perceberam que passei dias sem postar nesse blog. Aliou-se a falta de tempo com a falta de criatividade. Passei esses últimos dias pensando em como não acabar com este espaço. Afinal foi um mês em que, diariamente, eu contei as experiências vividas no Rio de Janeiro, na redação do jornal O Dia. E foi mesmo uma etapa inesquecível que rendeu lições para minha carreira, lições que compartilhei e aquelas pessoais. Sempre fica a sensação de que podia ter feito mais, contado mais, experimentado mais.



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Agora a luta continua. De volta ao Rio Grande do Sul e a realidade, chega a hora de bater nas portas, disparar currículos. Sei que muitos que leem este blog também vivem ou viveram recentemente isso. E como é árduo. Você dorme e acorda pensando: estou desempregada e sem perspectiva. Cada fim de semana e feriado é um tormento. São dias a menos para batalhar. Surge uma vaga aqui, outra ali, uma ligação acolá, centenas de e-mails e nada. Daí começa o questionamento: qual meu erro ou o que me falta? E como é difícil o tal temos isso heim? Estamos no ar!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

The End

Todo episódio tem um final e o meu seriado jornalístico na Cidade Maravilhosa termina hoje. Foram capítulos felizes, com atores diferenciados a cada dia, cenas inéditas e as repetidas. Foram muitos bueiros, delegacias, idas ao subúrbio e ao Centro. Foram muitos almoços com as equipes, regados a discussões sobre a profissão e as besteiras costumeiras. Foram muitos palavrões a moda carioca. Como coadjuvante, observei todo o desenrolar nos bastidores e aprendi muito sobre o lado bom e o ruim.

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Hoje terminei praticamente como comecei: com o motorista Mário (que me buscou no aeroporto), com o repórter Diogo Dias (da pauta de frio no calor) e com o repórter fotográfico Fábio Gonçalves (da mesma pauta furada e do Morro Danon) e em pauta de bueiros. Já estou com saudade de todo chão de fábrica, do bom-humor matinal e do charme carioca. Fica meu agradecimento e grande beijo a todos, principalmente os que não me despedi pessoalmente. Não vou citar para não esquecer de ninguém mas vocês sabem que moram no meu coração. Espero todos lá no Sul. Estamos no (fora do) ar!

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Para começar  bem o meu último dia no Rio de Janeiro e para começar bem, também, a manhã de vocês.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Dois dias em um

Ontem, nunca se começa uma reportagem com essa palavra. Se é ontem ou é suíte (desdobramento do fato) ou é velho e se é velho não é notícia. Acontece que ontem eu fiquei em dívida com os leitores do blog. Não postei uma linha. O motivo? Estava doente. Uma gripe veio me derrubar. Deve ser fruto dos excessos do fim de semana. Mesmo estando mais para lá do que para cá fui à redação. Eu, o repórter Francisco Edson, o repórter fotográfico Alexandre Vieira e as equipes do Jornal Extra e Profissão Repórter, tomamos um chá de cadeira em frente a Corregedoria da Polícia Civil. Esperávamos pela perita que atestou ser de uma menina o corpo que na verdade era do menino Juan, aquele caso que vocês certamente acompanham. Com uma dor de garganta insuportável só sei que escureceu tudo. Pressão baixa. Foi necessário sal e água gelada para me reanimar. Sim, os coleguinhas (jornalistas) são solidários.

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Hoje, já recuperada, cheguei cedo na redação. A pauta seria um tanto quanto sinistra: denunciar vans de transporte ilegal em Campo Grande e Ilha do Governador, com o repórter Diogo Dias (que reclamou não conseguir comentar neste blog). Após uma conversa o chefe de reportagem achou que seria perigoso para mim. Fui para uma pauta de polícia em Niterói, Região Metropolitana, com a repórter Isabel Boechat e o repórter fotográfico Paulo Araújo.

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O CASO: Por volta das 6h da manhã o cirurgião vascular Nelson Vieira, 60 anos, foi baleado na boca enquanto dirigia por uma rua de Niterói. Mesmo ferido ele conseguiu dirigir até um hospital próximo. Pouco mais de 6h depois, policiais da 77º DP efetuaram a prisão de três suspeitos no mesmo local do crime. Uma denúncia anônima dava conta de que um veículo com mesma placa de onde surgiu o disparo estava próximo ao local. Na abordagem as várias contradições e o fato de estarem armados levou a detenção. Um dos envolvidos é bombeiro e supostamente com ligações com a milícia. Os suspeitos confessaram que foram pagos para cometer um crime e além das armas possuíam luvas, algemas, cordas, faca, maquina fotográfica, celulares, entre outros. A investigação segue apurando se o médico foi baleado por engano, já que a descrição do alvo dos acusados é outra.

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O que tenho aprendido nesses últimos dias de mais relevante e que quero compartilhar com vocês é que as equipes de reportagem se ajudam na rua. A concorrência fica para o corporativismo das empresas. As conversas nos almoços também são lições para mim.  E como gostam de contar histórias heim? Penúltimo dia e já estou na saudade. Na sequência um vídeo feito no momento da chegada dos suspeitos a DP. Estamos no ar!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Mais um da série bueiro-vulcão

É sério. Vocês já estão cansados de ver a história dos bueiros neste blog. A questão é: se vocês estão cheios disso, imaginem quem vive no Rio? As pessoas estão com medo de andar pelas ruas da Zona Sul e Centro. Hoje saimos cedo da redação. Eu e o repórter Diogo Dias íamos rumo a Santa Tereza encontrar  fotógrafo para a pauta do arrastão a um hotel de luxo na noite de ontem. Andamos alguns metros e o telefone chamava rumo a Botafogo. Acreditem. Mais um bueiro da Light foi pelos ares.

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Na pacata rua residencial de Botafogo, Zona Sul, um prédio com vidros quebrados, uma moto caída e amassada, moradores em pânico. A vítima, já encaminhada ao hospital, era um pedreiro que chegava para trabalhar na cobertura do prédio e foi "erguido" pelo bueiro, registrando uma fratura na mão esquerda. Conversando com moradores os relatos eram de medo. O prédio tremeu, alarmes dispararam, barulho muito forte e cheiro de gás. Caso da dona de casa Layde Gomes da Silva, 72, moradora do quarto andar. Ela estava em casa, com a irmã, quando a luz começou a cair. Intrigada e com receio de um curto-circuito, desceu para falar com o porteiro. Não deu tempo. O barulho da explosão fez o prédio tremer. "Foi muito forte. Pretendo juntar algumas coisas e ir com minha irmã para a casa de uma sobrinha. Dormir esta noite só com calmantes", afirma. Em caso de perdas materiais ela pretende processar a Light.

Layde aponta para os vidros quebrados com o impacto
Técnicos vistoriaram o local e mais bueiros foram interditados por ter potencial explosivo. De abril até agora, pelo menos 14 bueiros já ganharam status de vulcão. Para os projetos de jornalistas a lição de hoje é: a pauta sempre pode mudar no caminho conforme o factual e chefias tem de se virar para adequar tudo. No nosso caso precisaram mandar um fotógrafo, o Fernando Souza. Veja a seguir cenas do bueiro-vulcão de Botafogo.


domingo, 17 de julho de 2011

E tem gente que desiste na primeira dificuldade...

As melhores coisas da vida costumam acontecer quando menos esperamos. Foi assim que conheci a história do fotógrafo Severino Silva. Sentada na redação, lendo pacatamente os jornais, fui apresentada pelo chefe de reportagem a um mestre da fotografia com a dica “entrevista ele. É o cara!”. Não pensei duas vezes. Sentamos em um canto da redação e começamos a conversar. Com um jeito tímido e uma humildade elogiável, Severo, como é conhecido entre amigos, começou a me contar sua história. Já na infância,vida humilde no interior da Paraíba, ele demonstrava o dom da fotografia. E era dom mesmo. “Quando era pequeno, ficava olhando as nuvens e as figuras que elas formavam. Via minha vó varrer a casa de chão batido e coberta com palha e achava lindo o contraste da poeira com a luminosidade que entrava. A noite, como não tinha luz elétrica, eu ficava vendo as estrelas naquela escuridão e o vento balançar as folhas de bananeira, formando belas figuras”, relata.




Ainda pequeno mudou-se para o Rio de Janeiro. Trabalhou em diversas funções e locais. O primeiro contato com o Jornalismo foi no jornal O Globo, onde começou como auxiliar administrativo. Como não tinha dinheiro para comprar livros sobre Fotografia, nas horas vagas era nas bibliotecas que ele buscava conhecimento. Aliando a teoria,com os conselhos práticos de fotógrafos profissionais e a paixão, hoje já são quase 20 anos de profissão. Severo já conquistou muitos prêmios, dentre eles o Nikon (91/92), o 6º Salão de Fotografia e o Líbero Badaró. Especializado em fotojornalismo policial é um dos repórteres fotográficos mais respeitados do país. Confira a seguir os relatos deste profissional em vídeo. Estamos no ar!


sábado, 16 de julho de 2011

Dada a largada para a saudade

"Tiro o seu sorriso da minha frente que eu quero passar com a minha dor". Sim, eu estou dramática. E esse trecho da canção A flor e o espinho serve para enriquecer a hipérbole. Foi dada a largada para a última semana no jornal O Dia. Não sei vocês mas eu odeio despedidas mas na próxima quinta-feira terei de fazê-lo. Creio que fiz muitas amizades e a troca de conhecimento com profissionais que estão no jornalismo quase que o mesmo número de anos que tenho, não tem preço.

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As pautas foram desde Zoológico, passando pelos bueiros-vulcão, os problemas estruturais do Rio, até os de polícia como o Caso Juan. Fui para a rua com quase todos repórteres e repórteres fotográficos, meus maiores incentivadores. Setirei saudades de tudo: do calor do povo carioca, do bom-humor, da cerveja informal, dos almoços com as equipes, das discussões e impasses nas pautas, das brincadeiras, dos paparazos. Guardo com carinho cada imagem e espero ter proporcionado a vocês, leitores, a mesma sensação de descoberta que tive. Foi meu primeiro contato com o impresso e pude tirar boas lições disso para minha carreira. Nostalgia feelings. A seguir imagens de alguns momentos por aqui. Eu sigo contando 5, 4, 3... Estamos no ar!

Zoo do Rio - motorista Carlos, repórter Diogo e fotógrafo Fábio (Ralado)
Foto: Fábio Gonçalves

Comunidade Danon com policiais no Caso Juan
Foto: Fábio Gonçalves


Prozuzindo para o blog - Conexão Leitor em Deodoro
Foto: Carlo Wrede

Lanche em Marechal Hermes - estagiária Paloma e motorista Fábio
Foto: Carlo Wrede
Com o Élcio Braga brincando de TV O Dia
Foto: Paulo Alvadia